4 Reportagem Jornal de Brasilia. MINHA ROUPA FAÇO EU.


Reportagem sobre MINHA ROUPA FAÇO EU. Uma entrevista.

MODA
Minha roupa faço eu!

Júnia Gama


Corta daqui, emenda de lá, puxa, amarra e adorna com uma fita. Pronto, o visual está estilizado e já é possível ir às ruas sem parecer mais um item recém-saído de uma fábrica de produção em série. Assim começaram as histórias de vários estilistas. Primeiro, a interferência na própria imagem, a vontade de mostrar algo diferente ao mundo e de expressar-se através da aparência. Logo, o impulso de transformar também o que estava à sua volta.

Trajando um sexy vestidinho preto feito por ela mesma, que deixa à mostra suas grandes tatuagens em ambos os ombros – "Sorte no amor", flores e corações de um lado e uma caveira no outro –, Camila Prado, hoje com 23 anos, explica que já levou muita bronca da mãe quando pequena por "destruir" as roupas que ganhava. "Pegava a tesoura e saía cortando tudo, desde os onze anos queria criar um estilo diferente", relata.

A malcriação de menina rendeu bons frutos e a estilista, que há pouco concluiu o curso de Design de Moda, na Unidesc, é um nome que começa a despontar no circuito fashion da cidade. "Agora minha família entende o porquê de tantas peripécias com as roupas e me apóia completamente", diz. Suas participações nas três últimas edições do Capital Fashion Week mereceram comentários elogiosos da expert em moda Gloria Kalil, que se mostrou surpresa com a maturidade do jovem talento.

Foi a partir do contato com um reconhecido profissional do ramo que Camila começou a levar seu dom mais a sério. O estilista Jum Nakao sentou com a garota, opinou sobre seus produtos e aconselhou: "Não basta ter talento e gostar de moda, tem que pesquisar, fazer testes com tecidos, botar a mão na massa".

O ensinamento foi seguido à risca, e Camila sente claramente a evolução do seu trabalho. O que era pura brincadeira de criança acabou tonando-se sua profissão. Agora, produz peças exclusivas, sob encomenda, ou vende suas criações ultrafemininas na loja Sirigaita, na 305 Sul. Imperam os vestidinhos de cetim, tafetá, com recortes trapézio ou godê, direcionados para um público jovem. "Jovem de espírito, não de idade", acrescenta.

Prazer em inventar
Há também quem crie só pela curtição. Aline Miessa, 26 anos, chegou até a cursar Estilismo na AD1, depois de concluir a faculdade de Administração. "Sempre fui apaixonada por moda, desde os dez anos adorava desenhar", conta. Uma das suas diversões é fazer disfarces para festas à fantasia, só para exercitar a criatividade. A farra também é grande na hora de preparar o visual para ir a eventos. As amigas se reúnem na casa de Aline, que dá aquele toque especial às produções, entre muita risada e fofoca.

Às vezes, para desobstruir os guarda-roupas, Aline faz bazares e vende parte das peças que produz. Quem se beneficia da sua vocação são as amigas. "Dou muita coisa, porque faço e enjôo rápido", afirma. Até cerca de um mês atrás, Aline trabalhou como consultora de moda para o Taguatinga Shopping, onde dava dicas para os clientes sobre o que funcionava melhor com o tipo físico de cada um. Resolveu deixar a consultoria para dedicar-se à agência de eventos que dirige com uma sócia.

A mudança foi motivada pelas dificuldades em encarar o mercado da moda no DF, ainda incipiente. "Acho que faltam profissionais qualificados em modelagem e costura por aqui, está muito no começo e fica difícil ganhar dinheiro com isso", lamenta. No entanto, Aline não desiste e sempre tenta aliar seu trabalho à moda, participando de eventos como o Capital Fashion Week. Enquanto as condições não se tornam mais favoráveis, ela se entretém inventando novas produções para uso próprio e para a turma.

Quando a coisa fica séria
Um portão lilás, cogumelos e duendes gigantes no jardim dianteiro, quadros com figuras de bicicletas, corações e flores pelas paredes. Essa é a entrada do Espaço Ferrugem, a casa onde funciona a loja, ateliê e salão de beleza de Fernanda Ferrugem. A estilista, já bastante conhecida pela cidade, relata que o contato com a criação de roupas existiu desde tempos imemoráveis em sua vida. A mãe mantinha, na parte posterior da casa da família, um ateliê onde costurava para as clientes.

A pequena Fernanda observava o movimento e literalmente pintava e bordava naquele local. "Adorava ajudar, fazia barras nas calças e também desenhava e confeccionava roupas para as minhas bonecas", conta. Apesar de sempre ter achado que a menina levava jeito para a coisa, a mãe resistia à idéia de que sua filha tivesse o mesmo destino que ela. "Naquela época, costurar era uma profissão marginalizada por aqui", lembra Fernanda.



Publicado em: 25/11/2007

4 comentários:

Tati disse...

Meus parabéns!!! Ficou muito boa a reportagem e vc tem muito talento. Deus te abençoe sempre!!
Tati!!!
http://bazartictati.blogspot.com

Maria di Capri Bazar disse...

Oi Aline!! Tá de parabéns!!! Adorei! :) Bjos

Priscila disse...

Ola! Vc realmente esta de parabens.
Estou querendo fazer um curso de moda, mas estou muito na duvida quanto a faculdade. Vc fez na AD1,o que achou:
Vc conhece a unidesc: Nao sou de brasilia, por isso nao conheco as instituicoes. Obrigada!

Aline Miessa disse...

Ola Priscila! Eu fiz na Ad1 em Brasilia! O curso vai de cada um, esperava mais, mas lá vc tem todos os contatos e reccursos vai de vc correr atras e mostrar interesse! Procure na internet cursos. Aki em Sao Paulo tem muita coisa bacana, se quiser me mande seu e-mail que te mando! bjs e sucesso!

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